VIAGEM AO DESERTO DOS SONHOS

24 de Março foi um dia especial para muitos de nós, ali à distância de pouco mais de duas horas, estava a principal razão desta viagem.

Levados por dromedários através de dunas imensas e enquadradas por uma luz quente e dourada, percorremos o caminho, que nos convidava à descoberta do nosso Eu e também da nossa Paz. É num quase silêncio e serenidade que os guias nos levariam ao encontro da tranquilidade, é como se um vazio se instalasse dentro de nós, como que uma preparação para a mudança. As emoções são sentidas de maneiras diferentes, não há como esconde-las, estávamos a viver um acontecimento único, mesmo aqueles que já tinham estado ali em outras ocasiões, não as deixaram de sentir. Cada um foi descobrindo o que de mais profundo há em si, pleno de sensações e imagens, e foi partilhando com quem por perto estava, por vezes sem ser necessário pronunciar uma palavra.

O momento de chegar ao local do acampamento, o deixar as mochilas, subir à duna, tão difícil para alguns, com o intuito de ver o Pôr-do-Sol. Sentir a alegria por estar ali presente, naquele sitio único, com aquela luz, com os pés em cima de uma areia finíssima e de cor dourada, o poder receber nas mãos o calor dos raios do Sol que nos transmitiam leveza e muito amor, uma autentica fusão entre o Eu e o Todo.

Saborear uma comida que nos foi preparada por seres que estiveram sempre tão disponíveis, fazendo-nos sentir que estávamos entre irmãos amigos, e sempre com uma coisa para partilhar connosco; o sorriso e a boa disposição, é maravilhoso sentir aquela energia.

O ritual da Espiral de Fogo, era um momento aguardo com alguma expectativa, onde cada um a seu tempo teve oportunidade de viver e sentir emoções de uma forma mais profunda e mais intima, que seguramente recordará por muito tempo.

É difícil esquecer os momentos que naquele local foram vividos, porque ali de facto houve momentos de mudança, liberdade, transformação, descoberta, acontecimento, momentos ainda de gratidão, não esquecendo a companhia de uma borboleta que nos acompanhou em alguns momentos no caminho, e ainda as visitas efectuadas já noite, bastou estar atento.

No coração de alguns ficará a certeza de que, …é tempo de viver dias mais felizes.

EM KHAMLIA com Os Berberes Negros

Khamlia é uma pequena aldeia a cerca de 7 km de Merzouga.

Aqui neste lugar, os Berberes Negros aguardam-nos carinhosamente, e mostram-nos que a felicidade é bem mais simples do que imaginávamos.

Com o sorriso inocente das crianças que se abeiram de nós e que connosco convivem, ficamos de coração cheio.

Os pensamentos só podem vir do coração.

Encontramos aqui um grupo cultural de seu nome Gnaoua, que com a sua música ritualizada e misteriosa nos convida a participar de uma forma activa nos sons que são produzidos pelos seus instrumentos.

Deu para perceber que, enquanto lá estivemos eles sentiram-se felizes por nós. Nós, sentimos que há anos que somos amigos.

Por aqui, a vida é serena e pacífica.

MERZOUGA

Merzouga é uma pequena aldeia Berbere, situada no deserto do Saara a cerca de 4 kms de Erfoud, e cerca de 20 kms de distância da fronteira com Argélia.
A aldeia de Merzouga é ainda conhecida por estar situada nas dunas de Erg Chebbi, e divide-se em três partes: zona das dunas, centro da aldeia, e a parte nova, a norte do rio.
À volta das dunas existem ainda outras aldeias menos conhecidas como: Hassilabied, Tanamoust, Takoujt, Khamlia, e Tisserdmine.

Chegamos a Merzouga já com o pensamento no deserto, isso sentia-se em algumas conversas entre as pessoas do grupo, o que levou algumas mesmo a decidir dormir ao relento, nos terraços do hotel.
Depois do jantar somos convidados a conviver numa autêntica festa, com naturais berberes, com as suas danças e música tradicionais, que nos fazem sentir entre amigos. Sinto pela primeira vez uma forte união de todo o grupo, as caras das pessoas começam a estar mais focadas na minha mente, alguém me diz quando comigo se cruza, qualquer coisa como: …sinto que sempre te conheci….

Durante a noite fico a pensar naquelas palavras.